Arrisco seriamente em dizer que não conheço mensagem mais verdadeira de a que os olhos possam nos passar.
Impossível mesmo.
Podemos escrever algo bem bonito, mas nada poderá garantir a nosso interlocutor que aquilo é deveras inédito.
As vezes tentamos falar algo distinto, com propriedade, mas outra vez, dificilmente quem nos ouve terá a certeza mais clara de que aquilo que escorre ao vento é algo pessoal.
Agora, experimente olhar alguém.
Não disse enxergar, ver, disse olhar mesmo.
Daquela atitude gutural em que paramos e dedicamos cada pedaço de nossa força a levar uma conexão segura do nosso pensamento às pupilas que nos fazem vitrine.
Aquele olhar que escreve, que fala, que é inédito, pessoal e intransferível.
Você pode não conhecer uma pessoa por aquilo que ela fala, mas certamente entenderá seus motivos ao traduzir o seu olhar.
Para mim é quase como o Esperanto: a língua universal que todos nós nascemos aprendendo a utilizar.
E vamos aperfeiçoando nossos sentidos, nossos modos e nossas maneiras.
Cruzamos grandes dias, olhando sempre adiante.
Nos deparamos com grandes sonhos, e olhamos para eles como quem vê o que nos espera.
E encontramos, nesse mundo de olhares, um outro que nos faz sorrir.
Com os olhos.
Com o coração.
Casar é também isso mesmo: olhar o outro querendo escrever as verdades que você seria incapaz de dizer.
Fernanda e Leonardo, depois de um treino de ciclismo na USP, olhando adiante em seus novos caminhos.
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