É bem verdade que com um régua conseguimos medir várias coisas.
Se ela se faz pequena, nos utilizamos de um metro.
Se este, por sua vez, ainda não é suficiente, há quem opte por uma trena.
Sábios, para não se ocuparem com grandezas maiores, passam a colocar as medições no que se conhece por escala.
E as dimensões, se tornam por sua obviedade quase que infinitas em sua significância.
Felizmente, há contudo, coisas que não são passíveis de medição.
Não importa o tamanho da régua, ou a qualidade de seus cálculos, um sorriso vale muito mais que qualquer número possa exemplificar.
Se sou contra a matemática? Quase isso.
Sou incorrigivelmente contra tentar enumerar abstrações que quase não cabem debaixo da pele, justo no peito, que dirá então em alguns pares de algarismos.
No fim das contas, ao que não é atribui-se o fato de ser contável nos prova o quão pequeno somos diante de coisas que não sabemos nem ao menos quantificar. Não porque não as sentimos, mas porque escorrem por entre nossos desejos e carícias a capacidade de explicitá-las em um formato lógico.
O carinho foge a lógica. Esse é o fato principal.
Ele parte de quem o cede, e chega em quem o recebe por uma tênue linha de sensações nem um pouco parecida aos milímetros marcados por uma régua.
Quem está nas extremidades não se incomoda em somar as coisas, mas resgatá-las de um jeito único. E aí então, aproveitá-las.
É assim que se faz.
É assim que se vive de verdade.
Os tamanhos, geralmente nos prendem numa concretude inexistente nas almas.
O que é bom e memorável na vida, é discrepantemente, sem medida, afinal, como já disseram uma vez, a medida exata, é não ter medida.
O Tato e a Li, no fim de um ano que já se foi, me fizeram perceber, que não importa por onde se queira fazer a medição, se a coisa é gigante dentro de si, é enorme a valer.












































