Baú de January, 2011

Existem desafios e desafios. Fato.
Agora, no fundo, bem lá dentro mesmo, todos os tipos de provações nos tornam pessoas diferentes depois delas.
Seja pela vitória, seja pela derrota, seja pelo desconhecido, seja pelo novo.
Desafio motiva e ponto final.
Uns motivam mais.
Outros são essenciais.
E de verdade mesmo, bem acho que a vida de todos devia ser recheada de desafios significativos.
Alguns que fossem super tranquilos de se passar.
Outros que dessem a dimensão do quão forte somos diante de algo que sequer sabemos interpretar a primeira vista.
Os dias sem desafios seriam muito monótonos. Evolução, seria então coisa de dicionário.
E seríamos pessoas estáticas.
Mas meu caro,…a vida é mudança. Estamos em fase de construção. Juntando nossas pedrinhas pelo caminho.
E assim sendo, quando um amigo seu apostar em seu trabalho e confiar um momento único, um desafio especial, uma situação de muito, muito nervosismo, sorria.
Muitos até podem ser chamados, mas o que dizem é verdade: poucos são os escolhidos.
E se você for escolhido, esqueça equipamento, esqueça técnica, porque o que vai valer no fim das contas é o que você carrega com você desde o começo dos tempos.
Sim, o coração mesmo.
10 de Janeiro de 2011. 23 horas. Chuva em São Paulo.
Eu disse chuva? Muita chuva.
Estava a caminho da Casa de um Papai e uma Mamãe ansiosos. E quase desisti.
Parado na Marginal Tietê, água pela metade da roda do carro, parei e resolvi ler um livro que sempre levo comigo.
É uma espécie de manual das pessoas felizes. Brinquei com a sorte. Abri em uma página.
E veja só, a providência foi divina. Dizia sobre desafios. Sobre não desistir.
Entendi o recado. Não só do livro, mas de tudo que passei e que passaram comigo.
O Rê também, que me esperou até a 1h30 da manhã na véspera de ter uma pequena em seus braços!
Se valeu a pena? Poderia discorrer sobre milhões de coisas aqui.
Alguns diriam que sou hipócrita em dizer tanto sobre um ‘simples parto’.
Mas quando se vive um desafio meu amigo, eu já disse, se engrandece o que não se tem idéia.

Pensei em responder os comentários do papai Renato e da mamãe Monica do último post.
Não consegui.
Tentei de novo, e as palavras não se encaixavam. Não porque faltavam, mas porque vinham todas juntas, desorganizadas, emocionadas, enroscadas, felizes.
E aí, hoje meu agradecimento, vem em forma de vídeo. E tem pouco mais de 10 minutos. Assista.

Com carinho.
rz

**por favor, não deixe a velocidade da internet parar sua emoção:
Aperta o play, pause, espere a barrinha cinza carregar e aí sim, divirta-se. Obrigado! :)


Das coisas que as pessoas mais temem e mais procuram é ser feliz.
Temer a felicidade?
É, temer.
Em estado puro, livre de qualquer outra contaminação, a felicidade é um troço que extasia, contagia, faz viver melhor e assusta.
Sim, assusta. Pelo simples fato de nos deixar na ansiedade por saber, até quando ela vai durar.
Aliás, duração, intensidade e qualidade são coisas distintas, embora muitos de nós demoramos para entender este detalhezinho.
Quando vivemos um segundo inexplicável, aprendemos que as coisas podem marcar por mais curtas que sejam.
Quando sentimos uma coisa muito grande do lado esquerdo do peito, por entre a carne, a gente ganha um novo valor de intensidade.
Quando a gente vê o quanto é bom viver, as coisas ganham novos padrões de delicadeza.
E aí, a gente vive feliz. Sem medo de se assustar. Sem medo de sentir.
Há muito tempo, recebi um pedido, que me deixou deveras orgulhoso e na mesma proporção medroso.
Renato D’Paula, fotógrafo, montanhista, mochileiro, grande pessoa, e antes de tudo amigo, me dizia no mundo paralelo das redes sociais algo como isso:
“Olha Ro, não sei quando vai ser, nem como vai ser, mas gostaria MUITO que você fotografasse o parto da Isa.”
Se fosse pelo telefone, o Re teria me ouvido ‘cair’. Como foi por Direct Message no Twitter, o que ele sentiu foi uma ausência na instantaneidade da resposta.
Aceitei o desafio, com o coração aberto.
Tão aberto que me permiti derramar uma lágrima quando me percebi dentro de uma sala de cirurgia, ouvindo um choro de nenê que clamava por vida.
Por trás de uma Canon 1D Mark IV e de uma máscara, senti um turbilhão de coisas que sim, são inexplicáveis.
Algumas experiências, teoria nenhuma explica.
Sentir o nervosismo do Re antes de entrar na sala, ver a calma da Monica que se preparava para dar a luz a um novo amor que cultivou em si durante meses, perceber a preciosidade do cuidado da mãe do papai que ali se preparava, são coisas que infinitamente tem duração, intensidade e qualidade absolutamente incontestáveis.
Não são as coisas que se dizem ou as coisas que se fazem. É sobre sentir.
Naquele momento, poder ver uma nova vida conhecendo o mundo e perceber o quão abertos estavam os corações que a receberiam é inigualável a qualquer coisa que tenha vivido.
Se vivi muitas experiências? Não sei, mas as vivi com intensidade.
Assim como no dia 11 de Janeiro de 2011, estava lá, de corpo, alma e coração.

‘Obrigado’ é uma palavra muito simples para descrever o quão maior me tornei devido a possibilidade que essa experiência me proporcionou. Especialmente quando se fala de um corpo que não chega ao 70 centímetros depois de 1 metro.
Mas Renato e Monica, hoje é o que posso dizer para vocês.
Porque o carinho que sinto pelos 4, sim, não esqueci do Ziggy, é coisa pra muitas outras palavras.

Com vocês, Isabella, na maior de todas as suas viagens, e em sua primeira sessão de fotos oficial.














Em todos os tipos de expressão, há os exageros.
Na língua portuguesa, isso tem até nome: hipérbole.
Na língua do coração, isso até pode ter outro nome, mas eu sinceramente não sei.
Nem precisaria saber, porque como disse em algum outro texto, existem coisas que não se medem, e ainda que se medissem, não seriam qualificadas em progressões numéricas.
O amor exagerado não é mais valioso que um amor discreto.
Um beijo roubado, muitas vezes vale mais que um beijo daqueles de cinema.
E se o sorriso for de canto de rosto, misturado as lágrimas, não significa vergonha, mas sim que o que se sente ali por dentro sacode tanto que não se pode dizer se é melhor sorrir ou chorar porque o que se quer é amar.
Gosto de detalhes, sempre foi assim.
E a discrição é normalmente das coisas que mais deixam os detalhes expostos e vulneráveis.
Como magia, contagiam por carregarem em si muito mais energia que o que se poderia imaginar.
E um encostar de rostos ganha um valor ímpar.
Os olhos se fecham.
O coraçãa permanece aberto.
Quem está por perto, crianças, adultos e experientes sentem tudo. E se calam.
Até porque nada que dissessem seria capaz de interromper tal discrição apaixonada.

Último casamento do ano que se foi. Amanda e Thiago.












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