Lembro bem daquela segunda-feira.
Todos no colégio comentavam sobre as filas enormes que tinham enfrentado para conseguir fazer a inscrição para a Fuvest daquele ano. Eu, alheio a todos escrevia um poema, que por certo está guardado na gaveta do criado-mudo.
Não sei bem certo qual foi a mão que me tocou os ombros, mas a pergunta era só para conferir o fato de que eu, também tinha sido vítima da famigerada cola. E não tinha. Pelo simples causo de estar entretido com outras coisas e absconsamente ter esquecido o ‘detalhe’ de me inscrever para o vestibular.
A correria contra o tempo e contra a cara feia da mãe que via o filho prestes a perder a chance de começar sua caminhada na vida de um Profissional da Comunicação era impagável. No fim, parece que esse começo desandado foi recompensado.
O diploma veio pra minha parede.
Daí, lembro também quando algum ano atrás, cheguei pra mesma mãe que falava para todos que tinha um filho publicitário, dizendo que simplesmente aquilo não me encantava como a chance que eu tinha de retratar emoções como sendo a poesia visual daquilo que eu sentia diante de alguém. Confesso que a cara não foi das melhores, mas o apoio, dos mais inigualáveis.
Não acredito muito em tempo. Tenho para mim que um tanto de coisas correm paralelamente e totalmente alheias a ele. Não que isso seja bom. Nem também que isso seja ruim. Isso é o que penso. E aí, é só um pensamento.
Levo também tatuado em mim, além das iniciais no pulso, a certeza de que para sonhar conquistar algo diferente a gente pode começar tentando fazer algo que nunca fizemos.
Continuando nessa cadeia de Sofismas disconexos, desisti de hesitar. Vê se pode!
Passei a desejar cada dia sendo como ele só poderia ser. Estudei mais. Me inspirei mais. Busquei dar mais de mim que podia imaginar ser capaz.
Dizer que não esperava nada em troca é além de ridículo, piegas. A conclusão era que o sonho fosse sendo visto de olhos abertos.
Daí veio o dia 23 de Fevereiro de 2010. Era outra segunda-feira.
Luciana Aith, me liga, me fala quase em códigos, palavras que não eram dessa língua. A tradução era mais ou menos irreparável. Duas fotos minhas premiadas na ISPWP.
Como disse no dia, a primeira vez a gente nunca esquece. Por muitos motivos. É óbvio. Especialmente se seu avô, que jurava que o seu futuro era dentro de uma sala de cirurgia como cardiologista busca seu celular numa agenda velha e te liga para parabenizar.
A vida segue caminhando. Ou pede para descer. Ou vai andando junto. Ficar parado não faz parte do plano de forma alguma.
Com um tanto de gente ao lado, por trás, na frente e em todas as direções, numa quase outra segunda-feira, 25 de maio de 2010, era hora de sorrir de orelha a orelha de maneira altruista. Por trás do RZ, há um alfabeto inteiro. E também com fotos premiadas!
Não era hora de relaxar, mas sim de abraçar a mãe-premiada e dizer que o objeto de decoração deixado na parede há 2 anos, era até bonitinho. Mas os caminhos estavam se abrindo para um amor que não se explica em uma assinatura de Reitor.
Caminhos esses que a gente desenha num papel de pão, ou num restaurante Mexicano em Brasília em um final de semana especial ao lado do parceiro Fábio Oliveira.
Dessa vez o calendário se enganou. Era sábado. 28 de Agosto de 2010.
Mais uma vez, a responsável por todos os avisos, Luciana Aith, me envia uma série de mensagens de texto frenéticas para dizer que mais uma vez alguns versos da poesia estavam bem escritos!
O casório, em Salvador, que já estava animado, ganhou uma paleta de cores que nem Photoshop saberia registrar.
Ajustando o calendário divino. Hoje, outra segunda-feira, meu sorriso de orelha a orelha fala mais que qualquer entrelinha. E não só por um capricho egoísta, mas como Vinícius Matos mesmo postou, a fotografia de casamento brasileira tá dando as caras, as mãos, os olhos, os corações e tudo o que de mais nossa terra e nossos amores podem dar.
O Brasil se superou mais uma vez! Amigos entre os 10 melhores da fotografia MUNDIAL, sem contar a avalanche tupiniquim de fotos premiadas em todas as categorias. Foi incrível por culpa de uma série de arrobas: @dpaulaphoto, @fe_petelinkar, @sharoneve, @marcia_piveta, @raphafraga, @rejanewolff, @rjaccoud, @guilhermeb, @MarcosFelice, @fabriciasoares, @carolina_pires @aleborgesfoto @viniciusmatos
Agora o mais bacana mesmo, é correr a favor do futuro, se Deus quiser, cheio de segundas-feiras pra todo mundo que ama e vive pelo que faz.


